domingo, 29 de agosto de 2010
Qual o alimento que você tem dado ao seu corpo emocional?
Pois bem, depois de perceber o atraso, e várias palavrinhas soarem feito grunhidos enquanto você se levanta, se debate, o coração dispara, o corpo reage, será que você consegue perceber quais são suas emoções e sentimentos? Provavelmente não. Mas é a partir deles que haverão inúmeros reflexos durante todo o desenrolar do seu dia.
A cabeça vai a mil nas coisas que você precisa fazer antes de sair de casa, no ônibus que você já perdeu, no trânsito que provavelmente está pior do que na hora de costume, na desculpa que você talvez tenha que inventar pelo seu atraso, na entrega de algo que era para ser feita tal hora e agora não será cumprida, o cachorro que era para ter saído e não vai sair, enfim, podem ser tantas coisas.
Enquanto sua mente percorre todo o trajeto que deveria ser feito sem o atraso, o corpo vai sentindo a manifestação dos sentimentos que começam a despontar. Sentimento de raiva, de euforia, de frustação, de angústia. Por meio dessas emoções nosso corpo vai tendo inúmeras reações.
Se uma situação como essa ocorresse todos os dias, você provavelmente já estaria doente. A somatização de sentimentos pesados pode facilmente levar você para a cama, gerando com isso uma patologia. E mesmo de vez em quando apenas, tente perceber como você se sente quando esse dia está chegando ao fim. Recorde a sensação física, o cansaço, o corpo dolorido.
O que eu quero dizer com esse exemplo é que as emoções norteiam nosso comportamento o tempo todo! E tudo aquilo que é sentido pelo seu corpo, pode ter sido alimentado por uma emoção, por um sentimento.
Pense agora em porque é tão bom estar apaixonado. Com a paixão nós alimentamos nosso corpo com sentimentos de alegria, felicidade, desejo. Sentimentos que nos deixam mais vibrantes, com mais energia, com mais vontade de realizar coisas. Mas o que acontece se a paixão não vinga? Se você sofre uma desilusão? Todo esse sentimento se transmuta em emoções mais densas e pesadas, que continuam sendo alimento para o seu corpo.
Portanto, a conclusão na qual quero chegar é, qual o alimento emocional que você está dando para o seu corpo hoje? Esse alimento é tão puro e leve como uma maçã?
Assim como seu corpo físico precisa de proteína, carboidrato, aminoácidos, o seu corpo emocional precisa de sentimentos. Quanto melhor forem os sentimentos manifestados, melhor será a sensação física desencadeada em você.
E não é difícil. Quando algo começar a te desagradar, a opção de deixar que isso te prejudique é somente sua.
Se ao invés de se sentir irritado, bravo, ou qualquer outra coisa com o atraso, bastaria apenas dizer pra si: ok, agora já atrasei mesmo, vou fazer o que preciso, sair e deixar que as coisas aconteçam como tem que acontecer.
A vida realmente não para e o tempo não volta para que recuperemos o que já passou, isso vale até para um atraso. O importante é se dar conta disso e evitar passar por situações como essa repetidas vezes.
Agora uma curiosidade, você sabia que cada indivíduo possui ao todo seis corpos? Possuimos o físico denso, o físico energético, o emocional, o mental, o intuicional e aquele que pode ser chamado de monádico.
O denso você já sabe qual é, aquele que você enxerga, toca, cuida de forma mais perceptível, sabe como tem que tratar para mantê-lo saudável. Mas e os outros?
Tudo o que descrevi até agora foi falando sobre o seu corpo emocional. Mas para que você seja um indivíduo atento a união de seus corpos, o melhor seria conhecer-se um pouco mais para tomar consciência de cada um deles. Saber como cuidar para que estejam sempre saudáveis. Porque ainda que você não perceba, basta um não estar bem para que todos os outros sintam o reflexo deste e muitas coisas desencadearem a partir disso!
A partir de já atentem-se ao alimento que você quer dar ao seu corpo emocional, e perceba o quanto os seus outros corpos vão te agradecer por isso!
Cherrine Cardoso
domingo, 12 de abril de 2009
Não existe Yôga sem um bom relacionamento humano
meditação, mantras,
se você não souber se relacionar bem
com as outras pessoas.
Considero requisito principal a capacidade de boas relações humanas e não quero como aluno, nem como assistente, nem mesmo como amigo, alguém que não saiba se relacionar bem com os demais.
Nós do Yôga, temos uma prioridade no nosso esforço (tapah) pelo aprimoramento: é o cultivo das boas relações entre os seres humanos. Sem compreensão não existe Yôga. Não se admite que praticantes ou instrutores de Yôga não consigam superar uma emoção para evitar desentendimento com alguém. Por isso, as Federações estão incluindo este item na sua avaliação e não aprovam os candidatos que tenham dificuldade em se relacionar bem com todo o mundo.
Não adianta nada fazer lindos exercícios, meditar e portar o ÔM se você responde a uma cara feia com outra cara feia. Ou se você sente inveja de outro colega. Ou se você se ofende com alguém. É uma vergonha para todos nós quando chega ao nosso conhecimento que um yôgin se desentendeu com quem quer que seja, ou que se melindrou com outrem.
Com o pretexto da franqueza ou da autenticidade muita gente faz grosserias, o que magoa quem está envolvido no mal-entendido e também quem não está. Amizades promissoras são rompidas para sempre. Fecundas carreiras profissionais são destruídas. Enormes prejuízos morais e financeiros são contabilizados por causa de uma palavra ou fisionomia que poderia ter sido perfeitamente evitada.
Não estamos recomendando o fingimento nem a hipocrisia, mas sim a educação e a elegância. Emoções pesadas sujam mais o organismo do que fumar, beber e comer animais defuntos. Não adianta praticar Yôga, meditação, mantras, se você não souber se relacionar bem com as outras pessoas.
Lapide o seu ego, eduque o seu emocional, reprograme a sua mente. Nós não somos pessoas vulgares e toscas, que habitualmente respondem com crueza a qualquer atitude que não as agrade, gerando, com isso, um mal-entendido atrás do outro.
Quando faço estes apelos, sempre, quem os lê acha que não é consigo, que escrevi para outra pessoa, afinal, suas reações agressivas não terão sido culpa sua: foram todas as vezes, meras reações de legítima defesacontra as ofensas perpetradas por terceiros! Se você pensa assim, aceite minhas condolências. Você sofre de egotite aguda.
Há um método seguro para saber se a culpa é dos outros ou não. Se você se indispõe com, no
máximo, uma pessoa a cada cinco anos, fique tranqüilo. É bem possível que o mal-estar não tenha sido responsabilidade sua. Mas se você freqüentemente precisa se defender com veemência de ações cometidas pelos seus alunos, colegas, amigos, funcionários, prestadores de serviços ou desconhecidos, então você precisa fazer terapia.
As pessoas, em qualquer profissão, tendem a tornar-se difíceis, grosseiras, autoritárias, sempre que progridem na vida ou sempre que são promovidas em seus cargos. No entanto, chegar no topo não é difícil: o difícil é ficar lá. Um verdadeiro líder não é autoritário nem antipático. Se o for, não ficará lá em cima por muito tempo…
quinta-feira, 9 de abril de 2009
O ciclo existencial
(...) Conceitos e paradigmas nos vão sendo impostos por uma cultura que, na maioria das vezes, castra nossas maiores possibilidades. Quando observada de um outro ângulo, a esperança proporcionada pelo acreditar, seja na justiça divida ou seja na ordem social, apenas nos permite orbitar na periferia.
A maioria desses caminhos são considerados simplórios e não passam de um remédio paleativo de preve validade. É como se apenas podássemos os galhos de uma árvore. Ela continuará de pé, sustentada pelas suas raízes, de onde partirão novos ramos e flores, cujos frutos um dia retornarão a terra, cujas sementes produzirão novas aves... e é a terra que fornece o alimento mas tamb´m o que apriziona o homem ao eterno movimento cíclico da Natureza. Dentro de uma esfera que não para de girar, somos arrastados ora para cima, ora para baixo, num jogo interminável.
(...) A intensidade dessas emoções é proporcional ao plano de existência em que esteja cada indivíduo. As criaturas chamadas inferiores, nada disso tem razão de ser, por exemplo, uma planta, um inseto ou um cão, que amoldam-se ao seu meio natural. Mas quer sejam seres racionais, quer sejam irracionais, o fato é que todos estamos juntos nas cadeias do nascimento e da morte, aprizionados pelo ciclo existencial, por sua vez caracterizado pela lei de causa e efeito, o karma.
Pátañjali escreve no yôga sútra (cap. O: vers. 12-15): "O karma tem suas raízes nos obstáculos e é experimentado tanto no nascimento objetivo quanto subjetivo. Permanecendo a existência das raízes, permanecem as consequencias (karmicas) que vão determinar tudo: o nascimento, a própria vida e a suas experiências. Esta produzem alegria ou dor, conforme sua causa seja virtude ou vício. Para o discriminativo, tudo provoca dor, seja devido a antecipação do sentimento de perda, ou a novos desejos produzidos pelos sanskáras, ou ainda, a conflitos entre os gunas."
Imaginemos um homem como um grão de areia se comparado à Terra, a qual nada mais é do que um ponto no sistema solar. Esse, é infito dentro da via-láctea, que também não passa de um minúsculo ponto em relação ao aglomerado de galáxias; assim, ad infinitum. Para cada um desses elementos é atribuído um período de vida, desde uma célula até uma estrela.
Os darshanas (pontos-de-vista), as escolas e filosofia hindu, procuram uma saída na qual o ser humano possa libertar-se do movimento incessante da roda existencial, cujas percepções, vivências e transformações encontram-se limitadas espacialmente e condicionadas a temporalidade.
Em relação ao homem, a forma como ele se apresenta, com sua personalidade distinta, com seus desejos particulares ou coletivos, com suas tendências genéticas, instintivas, emocionais e mentais, tudo isso está incluso nessa mesma esfera sem saída, dentro da qual tudo nasce, se desenvolve, se desfaz e se transforma.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A Nossa Cultura
Extraido do blog do DeRose: www.uni-yoga.org.br/blogdoderose
Método DeRose
Os candidatos, quando me procuram, não estão interessados em paliativos para mascarar as mazelas do trivial diário. Eles estão interessados em absorver uma cultura. Segundo o Dicionário Houaiss, cultura significa, entre outras coisas: conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social. Pois bem, Nossa Cultura é uma reeducação comportamental que contempla especialmente o bom relacionamento entre os seres humanos e tudo o que possa estar associado com isso (por esse motivo, foi sugerido que nossa profissão se denominasse sócio-humanismo).
Esta proposta seleciona o público mais afeito à cultura e faz alusão ao fato de que não ensinamos apenas algumas técnicas, mas que transmitimos uma cultura. Como consequência, ficamos atrelados ao Ministério da Cultura e não ao Ministério da Educação. Em reunião que tive em Brasília com o Ministro Gilberto Gil, ele me disse uma frase memorável: “Conhecimento é com o Ministério da Educação. Autoconhecimento é com o Ministério da Cultura”, que é o nosso caso.
Procuro reeducar meus leitores para que se tornem pessoas melhores, mais polidas, mais viajadas, mais refinadas, mais civilizadas, mais cultas, que aprimorem inclusive sua linguagem e boas maneiras. Sugiro uma revolução comportamental, propondo uma forma mais sensível e amorosa de relacionamento com a família, com o parceiro afetivo, com os amigos, com os subordinados e até mesmo com os desconhecidos. Recomendo que eventuais conflitos sejam solucionados polidamente, sem confrontos. Como complemento a esta proposta, ensino reeducação respiratória, reeducação postural, reeducação alimentar etc., proporcionando condições culturais e sociais para que as pessoas tenham uma qualidade de vida melhor e os jovens se mantenham longe das drogas. Tudo isso junto, em última análise, contribui para o autoconhecimento.
